Qual o erro mais comum do investidor brasileiro?

Confundir real com dólar.

Na maioria das vezes que converso sobre investimentos com algum amigo e falo que a minha expectativa de retorno nos investimentos em fundos passivos (os ETFs CSPX, IWDA e EIMI) é de aproximadamente 10% ao ano, eles me perguntam: “por que não investir no tesouro direto, que paga mais do que isso e é mais seguro?”

Se esta também for a sua dúvida, continue lendo:

Rendimento em dólares é diferente de rendimento em reais.

A maioria dos brasileiros comete o erro de pensar sobre dinheiro tendo o real como referência, e ficam se indagando se o dólar vai subir ou descer no futuro na hora de escolherem os seus investimentos.

Eles investem no Tesouro IPCA por acreditarem que um rendimento acima da inflação brasileira protegerá o seu poder de compra, porém, se eles pensassem tendo o dólar como referência teriam visto que os investimentos no Tesouro deram, literalmente, prejuízo nos últimos 10 anos!

Antes de ser brasileiro, você é terráqueo.

A referência da economia mundial é o dólar. Nós somos cidadãos do planeta Terra primeiro, e cidadãos brasileiros em segundo. O seu custo de vida depende muito mais do dólar do que do real. A grande maioria dos produtos e serviços que você consome tem seu preço atrelado ao dólar: combustível, gás, alimentos, eletrônicos, veículos, praticamente tudo. Mesmo os produtos que são completamente fabricados no Brasil tem seu preço influenciado pelo dólar devido ao custo de oportunidade de exporta-los. O Brasil não existe isolado do resto do mundo.

Minha sugestão para o brasileiro que quer amenizar o problema de ver a valorização do dólar destruindo o seu poder de compra é, pelo menos nos seus investimentos — que é onde dá pra escolher — começar a pensar tendo o dólar como referência.

Não pense na volatilidade do preço do dólar pra você que tem reais, pense na volatilidade do real frente ao dólar, que é muito mais relevante pra você — terráqueo — que consome produtos e serviços cujos preços dependem muito mais do dólar do que do real.

Lembre-se que o seu dinheiro não precisa de visto para morar em outros países. Hoje em dia investir globalmente é tão fácil quanto investir no Brasil. Não acredita? Leia o post “Qual a melhor forma para um brasileiro investir no S&P 500?”.

Pense desta forma: se você recebesse duas ofertas de emprego remoto, podendo trabalhar de onde quiser, mesmo do Brasil; e uma delas pagasse 1000 dólares e a outra 5500 reais (equivalente a mil dólares hoje), e ambas fossem corrigidas no futuro pela inflação da respectiva moeda, qual emprego você aceitaria?

O mesmo raciocínio vale pra quem quer ter renda passiva com seus investimentos no futuro. Agora responda: você, que mora no Brasil e está buscando a independência financeira, prefere ter renda passiva em dólar ou real?

Na humilde opinião desta capivara pensar só no mercado financeiro brasileiro e ter o real como referência é o erro mais comum do investidor brasileiro.

Investir no mercado global de ações não é investir no dólar.

Outro erro comum é não investir no exterior por medo da cotação do dólar cair no futuro. Esse raciocínio é errado.

Veja, quando você manda dinheiro para uma corretora nos EUA para investir em um ETF, você não está investindo no dólar. A moeda americana foi apenas o ativo temporário usado para comprar as cotas dos ETFs. Uma vez que você as comprou, você não tem mais dólares, agora tem as cotas, que representam ações de todas as empresas que fazem parte do fundo. Na prática, o seu patrimônio está exposto a quase todas as moedas do globo, pois as empresas que fazem parte desses fundos — empresas que você é dono — fazem negócios no mundo inteiro.

Você pode pensar no rendimento de qualquer investimento tanto em termos de X% ao ano em relação ao dólar, ou Y% ao ano em relação a reais, ou qualquer outra moeda. É apenas uma questão de referencial.

Portanto, não perca tempo pensando se o dólar vai subir o descer. Mesmo se a sua intenção for morar sempre no Brasil, pense na volatilidade do real em relação à economia global.

Pondere com a capivara:

A capivara pondera
A capivara pondera

Se a inflação nominal do real tende a ser maior que a inflação do dólar, para haver paridade no poder de compra das duas moedas — no longo prazo — a tendência do dólar será sempre de se valorizar frente ao real. Portanto, se você investe para o longo prazo, não se preocupe com as variação da cotação do dólar no curto e médio prazo.

Por hoje é isso amigos.

Investimento longo e próspero! 💎🖖

— Capivara

PS: conhece alguém que comete esses erros? Use os botões abaixo para compartilhar esse texto. :=)

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