Por que eu gosto do S&P 500?

Em um dos vídeos mais assistidos do Otávio Paranhos (provavelmente o melhor educador financeiro do Youtube brasileiro), ele argumenta que pode não valer a pena investir no S&P 500.

Hoje irei, respeitosamente, discordar de alguns dos argumentos apresentados por ele neste vídeo:

Paranhos apresenta os seus argumentos para não investir no S&P 500

Antes de começar, declaro minha posição: eu gosto do S&P 500 e 50% da minha alocação está nele. É um índice minimalista — como a vida da capivara — e fácil de entender:

O índice S&P 500 é composto pelas 500 melhores empresas americanas.

O S&P 500 está caro?

Paranhos começa argumentando que, nos últimos anos, o S&P 500 foi um dos ativos que mais rendeu em relação à maioria dos outros ativos mundiais (ajustado pelo risco). Por isso, estaria “caro” neste momento. Ele comenta ainda que a baixa volatilidade observada nos últimos dez anos não deve se repetir no futuro, pois durante a maior parte da sua história o S&P 500 não foi tão estável.

Na humilde opinião desta capivara, da mesma forma que retornos passados não são garantia de retornos futuros, não se pode prever maus retornos futuros só porque houveram bons retornos no passado recente.

Portanto, na hora de avaliar se o S&P 500 está ou não caro, eu pergunto: caro em relação a quê? A própria ideia de muitos investidores de que o S&P 500 está “caro” cria uma expectativa negativa em muitas pessoas que decidem, então, não alocar neste ativo. Isso, por sua vez, faz com que o valor presente do ativo possa estar menor do que o seu valor real, não fosse esta expectativa negativa.

Da mesma forma, eu poderia argumentar que o S&P 500 está barato, pois eu não vejo um motivo material (que já não esteja precificado) para que haja tamanho pessimismo em relação ao seu futuro.

Em seguida, Paranhos argumenta que o S&P 500 seria um índice mais ativo do que passivo, pois as empresas são escolhidas por um comitê do Standard and Poors. Não vejo como isso faz diferença. Por serem 500 das maiores empresas do mundo, a maioria multinacionais, ainda o vejo como um índice suficientemente diversificado e global, que ficará muito próximo da média dos mercados globais — provavelmente com menos volatilidade. Tendo em vista que de 2015 pra cá houve a popularização de corretoras que dão acesso fácil ao mercado de ações pelo celular ou web, isso faz com que mais pessoas participem do mercado de ações, aumentando sua eficiência, o que tende a diminuir a volatilidade.

Na opinião desta capivara, todo mundo deveria estar, de alguma forma, investido em algum índice que fique próximo à média do mercado global, como argumentei no texto “como você está sendo roubado pelos ricos”.

Acredito que, no futuro, este conhecimento será muito mais difundido do que é hoje. Como o S&P 500 é o índice mais popular, é um dos que mais se beneficiará do aumento da literalidade financeira.

Vale recordar que quando comecei a investir, em 2018, a mídia de finanças já adorava noticiar que o mercado de ações estava super valorizado — sempre mostrando o gráfico do S&P 500 como exemplo — e que uma correção era iminente.

Até hoje estou esperando essa “crise” ou “correção”…
¯\_(ツ)_/¯

Clique aqui para ver maior. Todas as vezes que o guru @theRealKiyosaki (com 1,7 milhões de seguidores no Twitter) previu a próxima grande crise. 😂

Ressalto ainda que o S&P 500 é o índice mais popular. Possivelmente, por ser a recomendação do Warren Buffet (e de outros investidores reconhecidos) para investimento passivo, conforme podemos ver no minuto 10:56 do vídeo do Paranhos.

Como investidor passivo, buscando a independência financeira, meu interesse é nos índices que provavelmente terão um retorno que fique o mais próximo possível da média do mercado pelo mínimo de volatilidade. Neste momento, coloco uma probabilidade maior de que no futuro este índice terá sido o S&P 500.

Este é o mesmo pensamento que eu tive em outubro de 2018, quando (por motivos óbvios) decidi estudar mais sobre investimento no exterior (usando os recursos que eu citei neste post) e transferi quase todo o meu patrimônio para a estratégia de investimento em índices passivos.

Primeiros aportes globais da capivara em outubro de 2018

Naquela ocasião, concluí que deveria ter aproximadamente 40% da minha alocação em S&P 500. Com o tempo, após refletir mais sobre o assunto, decidi fazer um pequeno ajuste e aumentar a alocação no S&P 500 para 50%.

Como me sinto hoje em relação a esta escolha que fiz em 2018?

Muito satisfeito!

Performance dos índices que fazem parte da minha carteira (ibovespa apenas para referência) a partir do dia do meu primeiro aporte no exterior.
(CSPX representa o S&P 500)

Outros motivos para eu gostar do S&P 500?

A verdade é que ninguém sabe qual índice irá crescer mais no longo prazo. Tudo que podemos fazer é refletir sobre as histórias que cada índice conta, e especular sobre qual deles será o mais rentável no futuro.

“Sempre em movimento, está o futuro” — Mestre Yoda

Eu gosto da história do S&P 500. Acho que estamos apenas no começo da revolução tecnológica, que ainda está sendo alavancada pela pandemia. Por esse motivo acredito que as grandes empresas de tecnologia vão crescer mais rápido que a média. Me parece que a maior parte das indústrias do mundo real estão no auge da sua onda. Muitas são empresas que distribuem bons dividendos, mas e o crescimento?

Por isso eu gosto de dar um peso maior na minha carteira para o S&P 500, um índice ainda bastante diversificado, e com um peso maior nas grandes empresas de tecnologia: Apple, Amazon, Tesla, Google, Facebook e outras.

Outro motivo é o custo de administração, um pouco mais baixo: 0,07% para CSPX contra 0,20% para IWDA e EIMI. A diferença é pouca, mas pode ser significativa no longo prazo.

CSPX é o ETF domiciliado na Irlanda que segue o S&P 500. É mais vantajoso para brasileiros pois só recolhe 15% de imposto sobre dividendos, que são automaticamente acumulados dentro do fundo, o que dispensa a necessidade de ter que declarar dividendos com carnê-leão. Em breve, escreverei mais sobre as vantagens das ETFs Irlandesas neste site.

Nos meus próximos aportes eu pretendo diversificar um pouco mais. Estou querendo colocar uma parte em ETFs que não incluam indústrias poluidoras e talvez uma parte no índice NASDAQ-100 para aumentar minha exposição ao setor de tecnologia.

Por hoje é isso.

Investimento longo e próspero, amigos! 💎🖖

Capivara

PS: Discuta este post na comunidade r/RepublicaDasCapivaras no Reddit.

5 comentários

    1. Uma boa opção para quem tem a expectativa que pesos iguais irão render mais do que o índice tradicional. Pessoalmente, eu não compro os argumentos de que é mais provável que isso aconteça no longo prazo, pode ser que sim, mas pode ser que não, ninguém sabe. Veja, quanto mais pessoas acreditarem que a estratégia de pesos iguais vai rendar mais que o índice tradicional, mais pessoas seguirão a estratégia e menos provável é que ela de fato bata a média do mercado. Como você pode perceber, eu não sou fã de analises quantitativas, pois as estratégias derivadas dessas analises tendem a perder eficácia com o tempo.

      Outro ponto é que o custo de administração dos ETFs temáticos é maior que o das ETFs básicas. Por esse motivo, invisto no CSPX, que cobra apenas 0,07%, ao contrário da RSP que cobra 0,20%. O que, admito, não é uma grande diferença, mas é alguma coisa.

  1. Eu estou iniciando meus investimentos e atualmente estou investindo em S&P 500. Porém voce poderia fazer um post explicando melhor entre as opções brasileiras que temos (SPXI11 e IVVB11)? Outra coisa, voce poderia explicar porque não recomenda o NASD11? Gostaria de investir 25% do meu capital com exposição ao dolar, e estou pensando em 12,5% em cada. Porém o ideal seria em quais da S&P 500? E se realmente vale a pena investir em ambos os indices, visto que me parece que eles teriam a Correlação de Pearson.

    1. O índice Nasdaq 100 é mais concentrado no setor de tecnologia. Eu gosto do S&P 500 pois ele representa bem o rendimento médio do mercado global de ações. Por isso é visto por muitos financistas como o “neutro”. Investir no Nasdaq 100 é apostar que o setor de tecnologia vai crescer mais do que a média do mercado, o que pode ser verdade ou não no futuro, ninguém sabe. Pessoalmente, eu acho que é possível que o setor de tecnologia continue crescendo acima da média e tenho planos de colocar uma parte no Nasdaq em breve, mas não vou chegar a 50% da carteira, to pensando em uns 10%. Veja que muitas empresas do Nasdaq 100 também já fazem parte do S&P 500. Investir no Nasdaq é, na verdade, concentrar um pouco mais do patrimônio nessas empresas. De toda forma, isso são detalhes, tanto Nasdaq quanto S&P 500 são ótimos índices, na minha opinião ambos são boas opções para longo prazo.

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